domingo, 24 de julho de 2011

Dor e sofrimento na evolução humana
Armando Correa de Siqueira Neto
selfpsicologia@mogi.com.br
Psicólogo, consultor, conferencista e escritor. É mestrando em Liderança e desenvolve trabalhos e palestras sobre Psicologia Preventiva e eventos educacionais.
2004

Idioma: Português do Brasil
Palavras-chave: Dor, sofrimento, evolução humana, auto-conhecimento

Não se prenda às suas tristezas, contudo não deixe de vivê-las. Nem lá, nem cá. Observe calmamente e saboreie estes momentos, pois se encerra neles, justamente, a oportunidade de crescer e evoluir quanto ao desenvolvimento humano e ascender a condições melhores de sabedoria e amor. Todos queremos o céu, mas esquecemo-nos da trajetória, procurando adiar a caminhada. Dor e sofrimento fazem parte da natureza que habita em nós. São elas as formas pelas quais nos incomodamos e reagimos, e assim damos novos passos. E, mesmo sem perceber, modificamos o que fomos há pouco ou muito. É uma tentativa vã fugir das mudanças.
Vivenciar a dor e o sofrimento com menor receio nos aproxima de nós mesmos, levando-nos ao autoconhecimento, elemento crucial para que vivamos em maior plenitude. Quanto mais nos conhecemos e nos aceitamos, tanto melhor crescemos. Enxergando-nos com honestidade, abre-se a chance de modificar o que entendemos que deva ser modificado. Enganar-se, retarda qualquer modificação de nossa parte. É tarefa difícil compreender que o sofrimento existencial é um componente de nossa dinâmica de se viver, ao contrário, o enxergamos como um castigo, ou uma punição apenas.
Por outro lado, é justo almejar a alegria e o contentamento. Entretanto, é a eles que pretendemos nos apegar, procurando desconsiderar o seu oposto: as aflições. Vivemos a época da busca incontrolável pelo prazer. Busca-se o extremo nesta direção, e isso faz clara oposição a qualquer dissabor. Cria-se muita dificuldade em aceitar o que não faz parte do mundo prazeroso. É claro que se trata apenas de uma ilusão, mas ela tem poderosa força e ganha adeptos em crescente velocidade. São idéias que nos chegam de fora e as incorporamos. Crescemos aprendendo desta forma, e com isso nos tornamos presas fáceis da própria falta de conhecimento acerca de si mesmos, por não permitir o acesso que leva ao conhecimento do mundo de dentro.
Cuidado, não maldiga os momentos em que as aflições estão presentes, e tampouco tente fugir. A recusa implica em atraso, em lentas passadas nas viagens que temos pela frente. Mude aos poucos a percepção a respeito destas condições. Perceba as vantagens que podem ser aproveitadas, ainda mais se aceitarmos a inevitabilidade de ter que passar por estes momentos. Conquiste a calma necessária para lidar melhor mediante os sofrimentos da vida. Conhecer a este respeito já nos oferece uma posição privilegiada.
Com o sofrimento, o choro chega também, e ele traz alívio. É um amigo que conforta, deixando clara a sua missão: expressar o que vem do âmago, e ao mesmo tempo consolar. Se precisarmos reduzir o sofrimento, temos o recurso natural: o chorar. Chore, e lembre-se da sábia frase de Jesus: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados".
Confie em si mesmo, nas suas sensações e reflexões. Creia mais nas coisas que emanam de seu interior, elas são legítimas. As alegrias e aflições formam-se dentro de nós, e por esta razão, dizem respeito ao destino que lhes daremos. De que maneira nós as trataremos? É uma decisão particular, que pode até ser dividida e receber apoio, todavia é único o encaminhamento a ser dado.
Os momentos em que nos recolhemos e ficamos introspectivos e mais reservados devem ser aproveitados para uma bela e frutífera viagem interior. Nela, nos permitimos acessar sentimentos e situações diversificadas, como um relacionamento rompido e ainda aberto, um medo mediante certa decisão a ser tomada, mágoa, frustração, etc.
Temer menos a dor e o sofrimento aumenta a capacidade de se superar e aceitar, cada vez melhor, os reveses da vida. Amplia as chances de evolução. Há uma frase que descreve com propriedade as razões da aflição: "Quanto mais numerosos os espinhos, mais belas serão as rosas". Permitamo-nos ao convívio mais abrangente de tantas coisas que ainda não ocupam o espaço necessário e enriquecedor de nossas vidas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A NATUREZA HUMANA

Em que consiste a felicidade






Este é o problema central e máximo da humanidade.

Segundo a escola filosófica de Epicuro, o hedonismo, tanto mais feliz é o homem quanto mais ele possui, tem, goza.

Em suma, a felicidade, segundo os epicureus, depende da posse e plenitude de bens externos.

A escola de Diógenes, cinismo, ensina que a felicidade consiste na vacuidade, renuncia de todos os bens externos.

Ou seja, quanto menos o homem possui ou deseja possuir, tanto mais feliz é ele, porquanto a infelicidade consiste, ou no medo de perder o que possui, ou no desejo não atendido de possuir.

Quem renuncia á posse de bens externos e ao próprio desejo de possuir, ensinam os discípulos de Diógenes, é perfeitamente feliz.

Embora haja elementos de verdade nessas filosofias, tanto Epicuro como Diógenes falharam no ponto central da questão.

A felicidade não consiste nem em possuir nem em não possuir bens externos, mas sim na atitude interna que o homem mantém em face da posse ou da falta desses bens.

O que importa não é aquilo que o homem possui ou não possui, mas sim, o modo como ele se porta diante da posse ou da falta.

Quer dizer, o que é decisivo não é a maior ou menor quantidade objetiva das coisas possuídas, mas a qualidade subjetiva do possuidor.

Esta qualidade, porém, é conquista do próprio homem, e não presente gratuito de circunstâncias fortuitas.

Tudo depende, pois, em última análise, da atitude interna do homem.